sábado, 3 de novembro de 2012

Custe o que custar


Durante a semana que se passou, muito se comentou, em especial na Internet, mais especialmente ainda no Twitter, sobre a agressão sofrida pelo 'jornalista' do programa humorístico CQC, da TV Bandeirantes, por militantes petistas que tentavam abrir caminho para José Genoíno, ex-presidente do PT e réu condenado no caso do mensalão (o do PT, não o do PSDB), entrar e sair da escola onde vota sem ser incomodado. Muitos 'revoltados de teclado', essa praga cada vez mais constante na rede mundial de computadores, demonstraram apoio ao 'repórter', aparentemente uma vítima inocente de uma agressão covarde cometida por petistas ignorantes.

Cito este fato porque não é de hoje que o referido programa, cuja pretensão é ser engraçado (e jornalístico) tem problemas dessa natureza. Outros homens de preto da atração já apanharam no exercício das suas funções. Daqui em diante tentaremos demonstrar, então, a verdade dos fatos, como adora dizer o Reinaldo Azevedo, aquele sujeito escroto que escreve na VEJA, também conhecida como detrito sólido de maré baixa (by PHA) ou esgoto encadernado (by eu mesmo). Tentaremos desmascarar qual a verdadeira intenção do humorístico sem graça.

Cabe, antes de tudo, um esclarecimento, que julgo importante: assisto ao referido programa com certa frequência desde o seu início, em 2008, e digo que o que antes parecia ousado, provocador, com uma pitada de ironia juvenil, hoje é somente uma máquina de repetição de clichês e 'merchans' que deixariam Milton Neves com inveja, e que enche o saco de todo mundo. Bom, o de todo mundo eu não sei, mas pelo menos o meu já encheu, e não é de hoje.

Houve, de fato, a agressão? Sim. Não se discute, pois quem briga com imagens bom sujeito não é (ou quem não gosta de samba bom sujeito não é? Não sei, mas sigamos em frente). Se bem que um bom editor pode 'moldar' uma reportagem de forma que eles se tornem vítimas de um espancamento. Mas, por ora, não levarei isso em consideração, então retomo. Agora, o que me ocorreu, assistindo à cena, foi a seguinte pergunta: que direito tem um jornalista, ou, pior, um comediante travestido de repórter, de tentar esculachar quem quer que seja, independente de ser um político condenado pela Justiça ou o mais humilde dos seres?

Nenhum, eu mesmo respondo, e vou mais além: tipos como esses humoristas que hoje abundam aos montes (ok, admito que eventualmente eu rio das piadas desses caras), se utilizando desse expediente baixo, rasteiro, para constranger pessoas (de novo, independente da condição financeira, social, psicológica ou penal) tem mais que é levar uns sopapos mesmo. Quem sabe assim ficam espertos e veem que não podem fazer o que querem em nome do humor. Ou do jornalismo. Ou daquilo que eles, integrantes do CQC e cequecezetes, pensam ser uma mistura dos dois. O que eles fazem é outra coisa, indefinida, quase sempre sem graça, quase sempre desrespeitosa. Então, que assumam as consequências por suas provocações baratas. Afinal, o que vale é esculachar, custe o que custar.

2 comentários:

  1. Programa muito fraco que reflete muito bem o caminho que o jornalismo está seguindo. Nada mais se leva a sério, especialmente nesta profissão.

    ResponderExcluir
  2. Sem dúvida, o programa é uma porcaria. Assisto às vezes e, salvo alguns poucos momentos em que conseguem ser engraçados, não consigo esboçar um sorriso assistindo-o. O que é pior, e o que não é visto pelo público (por causa da edição tendenciosa), é que no caso específico que menciono no texto, os produtores do programa ficam provocando e xingando o petista, justamente pra que houvesse uma reação violenta, como de fato acabou ocorrendo.

    ResponderExcluir